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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Músicas e memórias

Acabei de ouvir uma música que lembra muito a nossa música. Sabe aquela que no começo do namoro me fazia ter arrepios só de pensar em ti cantando para mim? Essa! A diferença é que o sentimento daquela época era de expectativa por algo que eu ainda não conhecia. Agora é diferente. Eu ouço e as esperanças se renovam. Acredito em nós duas. Te quero por perto. Não me deixa, por ti eu assumo meus sentimentos para o mundo inteiro se for preciso.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Meu desabafo: STJ reconhece união civil entre homossexuais

Ontem uma promessa de mudança aconteceu na sociedade onde eu vivo. O Supremo Tribunal Federal aprovou por unanimidade a legalidade do casamento entre homossexuais e garantiu direitos integrais. Ou seja, pessoas do mesmo sexo poderão constituir uma família e serão reconhecidas pelo Estado. Isso acarreta em direitos iguais entre homossexuais e heterossexuais. Todos nós vamos ter direito de dividir bens, herança, Previdência, entre outras questões.

Bem, eu vinha esperando esse resultado e acompanhando o processo todo pela internet já havia um tempo. Pensei que dia 4, quarta-feira, eu saberia o resultado, porém, o STF adiou a votação. Ontem dia 5 de maio veio o resultado e a tão esperada aprovação. Entrei na internet eufórica para ver o resultado. Meu pai sentado no sofá assistia ao telejornal e minha mãe em frente a porta da cozinha fumava um cigarro. Entre eles eu me encontrava sentada em uma cadeira com o computador no colo.

Minha mãe sabia o que eu procurava nas páginas de notícias da internet e a cara dela era de indiferença. O meu pai parecia em outro planeta, nem ai para o que eu estava vendo no computador. No mesmo momento que eu li o resultado, abri um sorriso no rosto. Foi como encontrar uma luz no fim do túnel. Nem Bolsonaro, nem ninguém estava conseguindo impedir a evolução da sociedade Brasileira.

Deu menos de um minuto e o telejornal começou a falar sobre o mesmo assunto. Meu pai entortou a boca e não falou uma palavra. O olhar era de reprovação ao que assistia. O discurso dos ministros era inspirador. Cada palavra enchia meu peito de alegria, mas eu não pude expressar nem a metade do que eu sentia naquele momento. Me conformei com um sorriso largo no rosto e algumas palavras de apoio às vozes que eu ouvia saindo da televisão. Minha mãe me olhou com os olhos arregalados, como quem implora para eu calar a boca. Eu obedeci.

Minha vontade era de sair pulando, gritando para todos os lados que agora eu poderia demonstrar o carinho e o amor que sinto por uma pessoa e ser reconhecida pelo Estado. Pode não parecer grande coisa, mas quando um homem e uma mulher se amam tanto a ponto de acreditarem que vão ficar juntos até o fim da vida, eles se casam. E por isso são mais respeitados pela família e reconhecidos por todos em volta: estão em um relacionamento sério. Ele tem suas responsabilidades e ela tem as dela. Estão formando uma nova família juntos.

Porém, quando se é homossexual o máximo que se poderia fazer é juntar as escovas de dente e morar de baixo do mesmo teto. Os vizinhos tentariam se convencer de que somos grandes amigas ou primas, irmãs e ao responder a pergunta de algum desses vizinhos sobre qual o nível de parentesco a resposta seria "não somos parentes, somos namoradas", bem... o pensamento é de que vai acabar logo, é um amor de juventude ou até mesmo nojo. Ou ainda "elas não acharam o homem certo para elas". Eu sei porque já ouvi isso dentro da minha própria casa e de pessoas que pensei que teriam a cabeça tão "aberta" quanto a minha.

O que eu estou querendo dizer é que essa possibilidade que foi aberta, essa luz no fim do túnel, veio principalmente para ajudar a desmarginalizar uma parte da sociedade que pode até ser minoria, mas que é muito expressiva e sofre muito preconceito. Eu posso falar do meu lado: o de mulher, com 20 e poucos anos e homossexual em um relacionamento sério. Nunca vi um homem mexer com a namorada/esposa de um cara que esteja passando na rua. Juro, nunca vi. Em contra partida é só eu dar as mãos para a minha namorada que aparece um idiota para largar uma letrinha. Se não para ridicularizar uma, "elogiar" a outra de maneira desconcertante.

Eu acredito que a partir de agora possa haver uma mudança de comportamento e olhar das pessoas que não convivem com homossexuais. Meu sobrinho de 8 anos encara com naturalidade o fato de uma menina ser a namorada da tia dele. Por que homens e mulheres, jovens, adultos, idosos não podem fazer o mesmo? Reconhecer que existe amor e que, sim, é possível construir uma família com uma pessoa do mesmo sexo.

Esse é o meu recado e o meu depoimento. Abaixo deixo um vídeo que a Record produziu e transmitiu ao vivo para o sul do Brasil com a participação da pedagoga Cláudia Penalvo, da ONG Somos, e a mãe do jornalista Alexadre Böer, a dona de casa Marisa Böer. Vale a pena assistir.


homossexualidade - 04.05.11 por hojeemdiars no Videolog.tv.