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domingo, 7 de novembro de 2010

Madrugada

Abro a porta e ela faz aquele barulho característico de filme de terror. No interior, tudo escuro. Só enxergo os vultos... a sombra dos móveis na sala. Chega a ser poética a distribuição das coisas a essa hora da madrugada. Fica mais bonito. Tem aquele ar de descoberta.

Atravesso a sala, passo pelo primeiro quarto. Todos dormem. Mas também, eu não podia esperar nada diferente, são três e vinte da madrugada. Adoro essa hora. Chego em casa e está tudo quieto, em silêncio. Exatamente como eu gosto.

Entro no meu quarto, ligo o abajur, fecho e tranco a porta. Mochila num canto, casaco no outro. Tiro do bolso um cigarro, meu isqueiro e vou até a janela. É incrível como as coisas ficam bonitas a noite. Todas aquelas janelas com as luzes apagadas e só algumas com a claridade de televisões ligadas. Um silêncio incomum lá fora, fico impressionada. O céu escuro, totalmente estrelado... até parece mentira.

Fumo e penso na vida. Penso em como seria agradável chegar em casa e deitar ao teu lado. Entrelaçar minhas pernas nas tuas e respirar fundo no teu pescoço até tu te arrepiar e sentir minha presença. Ouvir teu suspiro, fechar os olhos e dormir com um sorriso no rosto.

Quem sabe tirar mil fotos tua antes de tu acordar. Tentar te mostrar toda essa beleza que enxergo muito além dos teus olhos. Aahhh... como seria bom... Te amar até o amanhecer e me perder nas horas até o telefone de uma de nós duas tocar com alguma chamada muito importante que nos traga de volta a realidade.

O cigarro se apaga fazendo meus pensamentos cessarem, fecho a janela, coloco meu pijama, deito na cama. Fecho os olhos e sonho mais uma vez com as tuas palavras.... Inevitável pensar em ti. Aliás.. precisamos tirar mais fotos... zZZzzzZZ