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domingo, 31 de outubro de 2010

Siga em frente...

A verdade é que não é para ser entendido
é algo que vem de dentro..
que sai como se fosse natural...
(quando na verdade não é)

É pensando minuciosamente...
cada palavra..
cada significado...

O fato é que nem tudo é feito para ser entendido
e sim, interpretado.

Minha vida sempre foi assim
pensada.. mas com seus imprevistos.
As vezes doloridos... e com feridas enormes
outras com pequenos hematomas
que só o tempo pode curar.

Todos somos desse tipo...
uns encaram numa boa e seguem em frente
outros desistem e acham que esse é seu carma...


Besteira,...
siga em frente.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

My Affinity

O corpo pede...
eu sinto a alma...
A mão toca
meu corpo grita...
Tua boca beija
saboreio o gosto...

A música toca
mas não ouço.
Sinto tua respiração acelerar
e teu libido em meu corpo.

Rosto quente
bochechas vermelhas...
A mão no sexo,
o amor sem nexo.

Frente a frente
no mesmo ritmo
fecha os olhos
sente o calafrio.

Minha afinidade finalmente descoberta
entre tantas lá estava ela,
me exibindo seu lindo sorriso.

Terceiro ato

Se pelo menos eles lessem
mas não...



ignoram.



Como podem querer que eu compartilhe um pouco de mim?
Ou melhor... não querem..

Preferem que eu simplesmente (me) esconda.

"Oh! Sentimento tão horrível e repugnante que sinto!" (Com a fatídica mãozinha na testa, é claro!)

Façam-me um favor.... não se importem, se for para pensar assim.
Não sou tão teatral a ponto de não perceber os olhares.
Mas pelo jeito vocês têm apreciado minha atuação diária pelos corredores da casa.
Ao sentar a mesa. Ao não me referir a ela como minha.
Pois bem... me parece que não sou eu a atriz da família....


domingo, 24 de outubro de 2010

Detalhe obcecado

Rápido...sobe aqui.
Vamos combinar como será daqui pra frente.
Espero na porta, tu sai do elevador
e mesmo antes disso que já te via.

É mais forte que eu...
por mais que me machuque,
não consigo pensar no futuro sem te incluir nas entrelinhas que escrevo.

A cada palavra eu vejo que tu não sai de perto...
que no próximo verbo tu estará presente
... e que não adianta lutar...

Não quero lutar....
quero esquecer isso que fere
e partir pra frente
como a força que o nosso amor exerce.

Somos mais que lembranças...
estamos juntas para viver
e eu nunca deixarei esse rancor estragar a esperança que teus beijos fazem crescer dentro de mim...

Tudo que tenho de mais bonito...
tudo o que tenho de mais importante
encontro dentro de ti.

Esquece.
Aperta 2 e segue em frente...
estarei logo atrás de ti.
Prometo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

(Re) Encontro

O coração acelera
se aperta do peito
escuta cada palavra com atenção.

Tudo gira lentamente
e é como se mais ninguém estivesse em volta.
Preciso ir, mas perdi a vontade de andar.
Na real, nem sei pra que lado ir.

Olho nos olhos dela...
continuam lindos. Castanhos.
Exatamente como me lembrava.

A boca mexe. Fala.
Eu tento entender o que ela diz
mas não sei se quero.

"Eu..."
Eu o que?, fico pensando.
Fecho os olhos...
coloco as mãos no rosto.

As mãos dela tocam na minha.
Me acalmo.

Ela chega mais perto,
abre um sorriso
Meu medo começa a diminuir
... o coração se acalma.

Tudo começa a voltar ao normal...
presto atenção
"Está tudo bem.", diz ela.
Um beijo sela o romance.
e uma lágrima corre o rosto
ao perceber o que ela estava dizendo o tempo inteiro:


"Eu ...Te amo"



,

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Obediência morbida

Senta na cama
beija minha boca
te faz de louca
me chama e
umedece os lábios.

Não me interessa...
só faz!
me tira do sério
tira a roupa
ducha.

Volta
beija de novo
me toca
estremece
geme
goza
arrepia a nuca

amizade louca

Sempre que eu precisei tu estavas ao meu lado. Hoje não seria diferente.

Amizade não se compra... se conquista. A tua, não tenho dúvidas de que é pra sempre.
Te amo.


@bibivs
saudade sempre.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Coisa de pai

"Imagine como seria se não pudéssemos...
se nos obrigassem a ser o que não somos.
Que dor sentiríamos ao nos separar
e ver partir junto nosso amor."

Credo. Comecei mal. Que melação nojenta. Mas é verdade. As vezes me pego pensando "e se tivéssemos nascido numa época diferente...e nada disso fosse possível". Afinal, temos os planos de ficar juntas e morar juntas! Ter uma família. Seria possível?

Encarar a sociedade, ouvir desaforos, aguentar caras feias na rua pelo simples fato de termos nascido assim. Não é justo sentir culpa por isso que, agora, neste momento, cresce em mim. Alias, sempre cresceu. Desde que me conheço por gente.

No começo eu não sabia se deveria sentir culpa ou orgulho. Ô, sentimento mais bizarro. Exatamente como diz aquela música "te ter e não te querer/ É improvável é impossível". Digo, me referindo ao sentimento, à confusão, é claro. Decidi pelo viver.

Meu pai não entende. A verdade é que ele simplesmente não quer ver. Triste isso. Me faz sentir incompleta. Ele é tão importante pra mim e não quer saber de algo que faz parte da minha essência. Será que vai mudar a maneira que ele me vê? Possivelmente. Perturbador. Ainda sou parte dele.

Minha mãe diz que eu o mataria se dissesse com todas as letras. Eu discordo. Mas também não quero contar. Não acho necessário chegar e dizer "pai, sou isso." Poxa! Ninguém faz isso! Por que eu tenho que fazer? Não dá pra simplesmente me abraçar?

Deixa pra lá... Está tarde. Melhor dormir. Fechar os olhos e ver se essa angústia passa....

Mas eu te amo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Silêncio gritado

Caminhando pelo centro de Porto Alegre, é possível perceber pessoas de todos os tipos possíveis e impossíveis. Diga-se de passagem, me divirto sentada na Praça Quinze observando os passantes.

A esquerda de quem está olhando para o Mercado Público, podemos perceber um pastor e sua filha, munidos de microfone, amplificador, e claro, a famosa bíblia de baixo do braço. Ao redor do homem que fala em disparada, uma multidão presta atenção, como se o próprio Jesus estivesse a discursar em praça pública.

Nessa multidão constatamos a diversidade em pessoa. Engravatados, mulheres simples de cabelos longos e saias cumpridas, mulheres bem maquiadas usando terninhos executivos, senhores de idade com uma pasta cheia de papéis em baixo do braço, mas o que me chamou atenção em particular foram duas meninas de mãos dadas, de mais ou menos dezoito anos, que prestavam mais atenção do que qualquer outra pessoa da roda.

O discurso do pastor era claro, todos somos iguais e merecemos ser respeitados como pais, filhos, avós, amigos, mas só temos direito a essa igualdade se mantivermos uma conduta específica. As meninas, com os dedos entrelaçados, se olhavam a cada palavra do pastor com uma expressão de pavor nos olhos, pressentindo onde o discurso ia parar. O pastor continuou e, olhando fixamente para as meninas, larga a bomba, homossexualidade não encontra-se nessa lista de condutas que dão direito ao respeito. As meninas, agora com uma expressão indignada no rosto, simplesmente saem da roda discutindo entre elas as palavras do tal pastor.

Eu? Eu continuei no meu degrau da Praça Quinze, observando aquele ato, sem mover um músculo para mudar alguma coisa. O tal pastor estava em praça pública praticando a homofobia, com a bíblia de baixo do braço, acompanhado da filha e levando consigo uma multidão a concordar que apenas alguns têm o direito ao respeito. E eu parada olhando sem falar nada.

Me senti um nada, pois mesmo que eu tivesse a presença de espírito na hora, o que eu poderia ter feito sozinha? A religião realmente exclui a diversidade do vocabulário. Mas por que eu, como cidadã, não fiz nada? Acredito que eu não soubesse o que fazer. Perdi as esperanças quanto ao poder do cidadão naquele ato e a Praça Quinze também perdeu a graça depois daquilo.

domingo, 3 de outubro de 2010

Noite a dentro

Uma verdade que nem sempre é positiva
mas que é tão verdadeira que assusta.
Começamos tudo por um fim
e de nada adianta querer mudar o começo agora.

Me assusta o fato de te querer tanto
mas fico feliz ao saber que me sinto no passo certo
Ao teu lado me sinto plena a cada sorriso
que arrancas dos meus lábios.

São os passeios,
os dedos entrelaçados,
a piada,
um conjunto de coisas que nos define únicas
no meio de tantas características comuns.

A ideia de que todos nós procuramos alguém
para envelhecer junto é quase intragável,
mas é a mais pura verdade.
Aliás, quem quer envelhecer?
Nada mau, quem aguentaria ser jovem para sempre?

Todas essas indecisões, conflitos, dúvidas...
Prefiro me distrair perdida entre abraços,
beijos e amassos na calada da noite.

Não temos como evitar tudo isso...
nem o tempo, nem a velhice
nem eu a vontade de me perder contigo
(seja onde for).
Tchau, amor. Boa noite. Te amo.