"Imagine como seria se não pudéssemos...se nos obrigassem a ser o que não somos.
Que dor sentiríamos ao nos separar
e ver partir junto nosso amor."
Credo. Comecei mal. Que melação nojenta. Mas é verdade. As vezes me pego pensando "e se tivéssemos nascido numa época diferente...e nada disso fosse possível". Afinal, temos os planos de ficar juntas e morar juntas! Ter uma família. Seria possível?
Encarar a sociedade, ouvir desaforos, aguentar caras feias na rua pelo simples fato de termos nascido assim. Não é justo sentir culpa por isso que, agora, neste momento, cresce em mim. Alias, sempre cresceu. Desde que me conheço por gente.
No começo eu não sabia se deveria sentir culpa ou orgulho. Ô, sentimento mais bizarro. Exatamente como diz aquela música "te ter e não te querer/ É improvável é impossível". Digo, me referindo ao sentimento, à confusão, é claro. Decidi pelo viver.
Meu pai não entende. A verdade é que ele simplesmente não quer ver. Triste isso. Me faz sentir incompleta. Ele é tão importante pra mim e não quer saber de algo que faz parte da minha essência. Será que vai mudar a maneira que ele me vê? Possivelmente. Perturbador. Ainda sou parte dele.
Minha mãe diz que eu o mataria se dissesse com todas as letras. Eu discordo. Mas também não quero contar. Não acho necessário chegar e dizer "pai, sou isso." Poxa! Ninguém faz isso! Por que eu tenho que fazer? Não dá pra simplesmente me abraçar?
Deixa pra lá... Está tarde. Melhor dormir. Fechar os olhos e ver se essa angústia passa....
Mas eu te amo.